Eu tenho red flags.
Vamos aportuguesar essa coisa? Então, levantem as “bandeiras vermelhas” aí, que as minhas já estão todas na janela.
Eu faço terapia, algo que todos deveriam fazer… façam. É sério, pois é libertador.
Mas antes de te libertar, meus caros, ela vai te levar a lugares que você nunca quis ir, que escondeu por longos anos, e que fingia que não existia em você.
Mas… voltando às bandeiras vermelhas. Acho que a minha principal é me isolar, fazer um voto de silêncio quando me machuco.
E nessa hora você pode até pensar: uai, mas não é normal? Ficar mais introspectivo até digerir a dor?
Até que poderia ser se eu fosse um estilo de ermitão e vivesse sozinha… o que não é meu caso. Eu me fecho para as pessoas que estão à minha volta: trabalho, amigos, família.
E ao invés de explicar o que me machucou naquele momento, eu me fecho, tento digerir tudo (o que pode levar horas) para somente depois articular os músculos da face para falar novamente.
E eu sei que até aqui alguém ainda vai achar isso normal. Mas pense comigo. E quem está ao meu redor? Se não souber o que ocasionou isso, o meu silêncio pode ser gatilho para os demais.
Que se danem… não consigo. Minha consciência me diz que preciso ter respeito emocional por aqueles que me cercam. Então… como resolver?
Falar na hora da dor ou da raiva, vai por mim, vai sair coisa dessa sua boca que você vai se arrepender amargamente depois.
Então, qual seria o melhor jeito de me desfazer dessa bandeira vermelha?
Fecho os olhos e já imagino minha terapeuta dizendo: “não seria viável dizer ‘não me senti confortável agora com essa situação, então vou digerir tudo, e quando conseguir entender eu te explico, tá bem?”. Confesso que já treinei isso um milhão de vezes, na mas hora do estopim, essa frase nunca que se formula na minha mente para ser dissipada ao vento.
É muita hipocrisia quem diz que não tem responsabilidade pelo que o outro sente, sendo que o outro divide uma parte do dia dele contigo. Relacionamentos precisam ser saudades, sejam eles amorosos ou não, e pra isso acontecer, a gente precisa de diálogo.
Mas como dialogar se a única coisa que a gente quer ou é nos fechar num castelo, tal qual a Rainha de Copas, de Alice no País das Maravilhas, ou até mesmo naqueles “Rage Room” onde a gente paga para ter um tempo para quebrar tudo que tem lá dentro.
Chegamos ao ponto que em diálogo é a chave.
Talvez nossa geração esteja precisando reaprender a dialogar desconfortos. Se já desconforta tanto sentir, imagino o tamanho da atribulação que é falar sobre isso.
Mas quem sabe, não é aí, exatamente neste ponto G, que é o diálogo sem juízo de valor, que mora a questão pra gente resolver muita coisa na nossa vida?
A maioria das Red Flags que conheço estão, de alguma forma, ligadas ao diálogo.
Ou de gente que não consegue dialogar, ou de quem quando dialoga só usa o poder de fala pra ofender o outro.
Está na hora de arriar as bandeiras, (sem pressão!), e tentar identificar primeiro na gente, quais comportamentos que são os modus operandi que tanto cultivamos à sete chaves porque ninguém quer mostrar a turbulência que é uma mente inquieta.
E você, quais são as suas red flags?
Se é que você vai afirmar que tem uma…
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Por: Rafaela Camargo
@afroencantar
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